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| Parafina (21x23 cm) |
Nessa página de vidro pretendo simplesmente fazer caber a minha vida. Talvez falte, talvez sobre espaço, conforme o tamanho da vida em questão. É claro, estou chamando de vida o restrito departamento do trabalho. Mas a palavra cabe, se o trabalho tiver sido realizado com profundo amor. Chamamos um filho, algumas vezes, de minha vida. Talvez a produção artística tenha uma dimensão semelhante, por pobre que seja; a obra nasce de um estreito relacionamento com um Outro que reside dentro de nós, e é grande o esforço de gestação. Se o fruto não servir pra nada, a culpa não é dele, nem do autor, nem do Outro; foi com amor e esforço também que a natureza criou alguns homens, vermes e cascalhos, que deixariam perplexo quem buscasse neles um sentido de existência.
Dentre as qualidades dessa página de vidro, destaco sua transparência. A luz aqui pode entrar e sair, ser vista de frente – por mim – ou por trás – onde estão vocês. No salão informal desse espelho vazado, todos convivem de livre e espontânea vontade. Um trabalho apreciado com tal intimidade e por tantos lados se aproxima de sua razão de ser.
De resto, o blog se explica por si mesmo. Vocês encontrarão nesses primeiros meses setores incompletos, por conta da cansativa revisão de todo o material, da produção das fotos de esculturas e baixo-relevos e pelas próprias dificuldades técnicas dessa mídia, tão comum às pessoas, mas estranha a mim.
31.8.12
29.8.12
26.8.12
22.8.12
Conhecido como Bunda, por seu jeito peculiar
de mendigar “uma bunda, pelo amor de Deus!” para qualquer pedestre feminina.
Apanhou uma dezena de vezes, até o povo se acostumar e achar graça; certamente
sua perseverança despertou a compaixão de todos. Nos últimos tempos virou ele
próprio uma espécie de fetiche, estimado e protegido pelos habitués da padaria onde fazia ponto, que lhe garantiam a segurança
quando desavisados machistas revoltavam-se contra o inocente molambento esticado
na calçada de olho fixo na mulher a impetrar com voz de barítono: “uma bunda,
pelo amor de Deus!” Na verdade, os homens ali, na entrada do estabelecimento, de
cerveja na mão, aguardavam excitados a aproximação de transeuntes forasteiros,
principalmente casais, que passavam distraídos. A treta era certa, a diversão
garantida. Se o estranho partia para a ignorância, sempre alguém intercedia a
tempo, evitando o pior.![]() |
| Pastel (19x27,5 cm) |
18.8.12
15.8.12
Deitado na cama com o radinho de pilha
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| Bico de pena (29,5x21 cm) |
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