Real Fantasia
Estava
mais triste que de costume, fui pra cama sem qualquer futuro. Rezei o pai-nosso
com especial fervor, me encolhi debaixo do acolchoado e esperei o sono. Não
percebi que dormia quando por acaso a sola do meu pé tocou uma coisa quente, outro
pé, como cri. Sonhava, é claro, mas tinha a sensação plena de estar acordado.
Era gostoso aquilo, um pequeno pé, pé de mulher evidentemente. Meu sonho
materializava o grande desejo de ter uma companheira, alguém que dormisse todas
as noites comigo. Mas, Deus meu, não era sonho não, meus olhos estavam abertos e
viam detalhadamente o quarto escuro, a réstia de luz na veneziana, a sombra das
roupas no chão - e a sola do meu pé roçava o pé de uma mulher! Usava meia. Não
queria me mexer, tinha medo de despertar ou, caso estivesse acordado, que a doce
sensação simplesmente desaparecesse. A verdade é que os minutos passavam, e um
sonho não duraria assim igual, retilíneo, sem nada acontecer. A curiosidade
crescia, precisava saber se atrás de mim havia algo mais que o pé de uma mulher.
Minha estratégia foi virar-me lentamente na direção contrária, mantendo até quando
pude nossos pés unidos. Claro, para completar o movimento tive enfim que perder
o contato e tremi; agora, com o corpo reposicionado, perdido o pé, minha mão
receava afundar-se no vazio. Todavia, a meu favor, sentia um estranho calor na
cama, até mesmo um cheiro de corpo, se não estivesse alucinando – e fui
esticando o braço em busca de uma matéria concreta. Era! Havia! Havia uma
mulher, as pontas dos meus dedos tocaram uma cintura – ela existia, ou o sonho
continuava... Pousei então a palma da mão e conclui que meu fantasma estava de
costas, com uma roupa fina, decerto uma camisola. Uma alegria adolescente me
invadiu, um frisson: uma mulher
dormia comigo, na minha cama! Permaneci imóvel; qualquer gesto precipitado
poderia dissipá-la. E estava tão bom assim, pra que mais? Ora, isto não se
sustentava, meus instintos impulsionavam-me a continuar, e me peguei mexendo os
dedinhos, descendo, centímetro por centímetro, até atingirem os primeiros
sinais de uma pele de coxa. Oh não, que encanto, então usava uma camisola
curtinha e oferecia pra mim a nudez das pernas! Lembrei de conferir novamente
aquele pé que de fato continuava no lugar, o que me serviu para esboçar um
quadro bastante razoável de como estaria vestida: camisola miudinha, meias e...
será?... nossa senhora, posso?... não, não, devia esperar, nem minimamente a
conhecia, precisava antes me inteirar de seu corpo como um todo. Seria gorda,
magra, menina, senhora? Vamos lá. Retornei a mão na posição inicial e recomecei
a exploração aos poucos pela barriga. Ora, ora, gordinha, mas durinha! Virei a
esquerda, devagar, e me deparei com a protuberância de um seio. Vige! Fugi de
pronto, recolhendo a mão de novo na cintura. Mas a mão, danada, voltou por si a
procurar aquele seio, onde chegou hesitante, entre tocar e recuar, como um gato
medroso. Enfim, evidentemente, pousei a dita em cheio no côncavo e conheci toda
a sua extensão. Que grandeza! Então..., ixe, biq... o bico, o biquinho! Aquilo
mexeu comigo, me excitou de súbito. Colei meu corpo – ê tesão! –, todo ele
encaixado! Tirei a ceroula para sentir as pernas. Quanto tempo! A excitação
precipitava os gestos, a mão descontrolada alternava-se entre seios e coxas,
mas ainda não atrevia: estaria nua ou de calcinha? Devagar, calma, era preciso
se conter. Lentamente, ao deslocar a camisola, meus dedos sem querer resvalaram
na alça do pano: calcinha! Oh, oh, eh! que gracinha! Mandei ver; a mão agora apalpava
sua bunda, no instante seguinte invadia a zona proibida, eu havia de fato perdido
o controle. Recompus-me, cheguei até a me afastar um pouco. Meu coração batia
sinos. Quem diz que posso? Eu a conheço? Ela me quer? Mas se está na minha
cama... E, além do mais, tudo podia ainda ser um delírio – porque a hipótese de
sonho estava descartada. Contudo, se for uma fantasia, seria completamente minha. Caso não fosse, então ela me
quer; ninguém me condenaria por tocar uma mulher que, existindo ou não,
oferece-se a mim em meu próprio leito. Voltei à caça. Mão direto na bunda. Jamais
experimentara nada igual, aquela pele lisa conduzia-me para o interior e, de
repente... pelinhos! os pelinhos do cu. Não podia mais, aquilo era demais.
Baixei de supetão sua calcinha, no que fui, ao que parece, até ajudado. Não,
engano; continuava imóvel. Ali, ladeira abaixo, os pelos avolumaram-se, úmidos,
vivos – era uma mulher e me queria! Preparei-me atabalhoado para a penetração,
a posição não favorecia; agarrei-a então com firmeza, sem qualquer cuidado, não
podia mais, se não fosse real já teria sumido, mas não, era de carne pura e
funda e macia e perfumada...
Amei,
amei, amei. Nenhum astronauta foi mais longe. Suei tanto que precisava me
livrar da coberta, entretanto, mesmo diante de tamanha evidência, ainda restava
qualquer temor de que o encanto se quebrasse. Porque queria mais. Não
conseguiria agora simplesmente fechar os olhos e dormir, como se nada tivesse
havido. Quanto tempo eu não experimentava uma mulher! E se ela fosse embora? Melhor
não tirar o acolchoado. Queria mais, e meti a mão novamente no buraco. Foi
quando ela se virou e disse impaciente:
– Agora
chega, Zé! preciso acordar amanhã cedinho.
3 comentários:
Muito bom !
Zé, li já há algumas semanas, e desde este dia, volto a pensar nele, lembrar, saborear... que delícia de texto.
beijos bia
Ha ha! Que ótimo!
Postar um comentário